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Nota de repúdio à demolição recente da Casa Luiz Forte



O Núcleo DOCOMOMO São Paulo vem a público manifestar seu veemente repúdio à demolição da Residência Luiz Forte, um marco da arquitetura moderna brasileira.


É com profunda indignação que repudiamos a demolição de casas representativas do Movimento Moderno, prática que revela um descaso inaceitável com nosso patrimônio arquitetônico e cultural. Obras como esta são símbolos de uma revolução estética e social que redefiniu o espaço urbano e sua destruição representa um apagamento da memória coletiva e um desrespeito à história da arquitetura, que deveria ser protegida como parte essencial da identidade das cidades.  


Localizada na Rua Alagoas, nº 1077, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, a Residência Luiz Forte foi projetada em 1952 pelos arquitetos Galiano Ciampaglia e Miguel Forte, com construção concluída entre 1952 e 1955. Os arquitetos, que tinham  como referência a arquitetura de Frank Lloyd Wright, propuseram nesta casa, a integração das áreas internas e externas, conformando uma espacialidade fluida, a incorporação do mobiliário, da iluminação natural e artificial e das diferentes texturas dos materiais, especialmente pedra e madeira, no processo de criação da da arquitetura. Uma referência da diversidade da  arquitetura moderna paulista, que inspirou muitas gerações de arquitetos e um marco na paisagem do Pacaembu.   


Apesar de sua importância, a residência sofreu uma progressiva descaracterização e degradação devido à falta de conservação adequada, o que comprometeu seus traços originais. Mesmo em estado alterado, o imóvel mantinha seu valor simbólico e histórico, sendo referenciado em obras como "Arquitetura Moderna no Brasil", de Henrique Mindlin (1999), e "Residências em São Paulo 1947-1975", de Marlene Milan Acayaba (2011). Essas publicações reforçam o papel da residência no contexto da arquitetura moderna paulistana e brasileira.


A demolição do imóvel evidencia uma preocupante falta de sensibilidade para com a preservação do patrimônio arquitetônico, especialmente de uma obra que integra o rico repertório da arquitetura moderna brasileira.


Reconhecemos as lutas e reivindicações dos órgãos e entidades por políticas eficientes de tombamento e conservação, mas entendemos que nada pode justificar a perda irreparável de obras que inspiram gerações e que são pouco noticiadas, como o caso da Residência Luiz Forte. 

Por essa razão, exigimos maior responsabilidade dos órgãos públicos e privados na preservação desses bens, que são testemunhos de inovação e criatividade de todo um movimento que foi fortemente representado pelos arquitetos paulistas. 


O DOCOMOMO São Paulo lamenta profundamente a perda deste exemplar e reforça a necessidade de maior conscientização e ações efetivas para a preservação do patrimônio cultural e arquitetônico do país.



Fontes:


Imagem: 



 
 
 

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NÚCLEO DOCOMOMO SÃO PAULO

Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto (AUH) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP) 

R. do Lago, 876 - Butantã | São Paulo - SP | CEP: 05508-080      


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